Voltei da Índia depois de 20 dias, parte deles dedicado a um aprofundamento nas grandes questões humanas. É um país fascinante – colorido, cheio de contrastes, humano. De vez em quando é necessário pararmos um pouco e pensarmos na grande figura, além do nosso cotidiano e olharmos para dentro um pouco. Foi muito gratificante. E o que tem isso a ver com gerenciamento de projetos? Muito mais do que pensamos. Afinal, o ponto crucial de maior complexidade e dificuldade em gerenciar projetos é justamente uma questão pessoal. Não, não são as dificuldades técnicas, logísticas, ou os desafios tecnológicos. O ponto é lidar com as pessoas do projeto, os stakeholders. Por isso é uma questão pessoal.
Não há como se ter sucesso em lidar com stakeholders de projetos se não estivermos dispostos a entrar no nível pessoal, nos expormos o suficiente para estabelecermos um elo de confiança, um relacionamento sincero com o outro. Na hora do sufoco, numa crise difícil, o que vai tirar você da fogueira são os relacionamentos desenvolvidos ao longo do projeto, com sua equipe, com seu cliente, com seus fornecedores, com seus potenciais opositores, com concorrentes, e por aí vai. Mas para se relacionar bem com as outras pessoas, você tem que estar bem com você mesmo. E aí entra o processo de elevação espiritual. A sua integridade está na integração dos seus valores, na sua sinceridade em servir ao projeto e às pessoas envolvidas. Afinal, esse é o principal papel de um bom gerente de projetos!
Ser espiritualizado não significa ser religioso, mas elevar seu espírito a níveis superiores, controlar o nosso ego (egoísmo), e ter atitudes e comportamento dignos, valorosos. O princípio da ética e profissionalismo exige uma boa dose de espiritualidade. De nada adianta todo o conhecimento e capacitação técnica sem uma boa alma! A longo prazo, é isso que importa.